segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Trabalho cultural reconhecido

A Presidente do Conselho Municipal de Cultura de Ponta Porã-MS( Elza Veron) me enviou a declaração abaixo. Fico feliz pelo reconhecimento ao meu trabalho como escritor.
Ponta Porã, 25 de janeiro de 2011.
Conselho Municipal de Cultura
O Conselho Municipal de Cultura de Ponta Porã, destaca a obra literária do escritor Alci Massaranduba, de forma relevante, pois contribui de maneira significativa para divulgação de fatos que ajudam a construir a identidade da população fronteiriça e sul-matogrossense.
O escritor Alci Massaranduba consegue em sua obra abordar temas do cotidiano da população, longe de uma linguagem rebuscada, o autor permite ao leitor uma viagem pelo dia-a-dia de Ponta Porã.
Esta combinação de sensibilidade com narrativa, faz da obra literária de Alci Massaranduba, necessária não somente para população da fronteira entre Brasil e Paraguai, mas também aos demais cidadãos de Mato Grosso do Sul, que poderão se identificar a cada parágrafo, texto e fatos.
O autor de "Minha Vida de Carteiro" vem se destacando no cenário literário de Ponta Porã, por este motivo, os membros do Conselho Municipal de Cultura de Ponta Porã, de forma unânime, homenageou o escritor como um dos destaques de 2010 na área de Literatura.
Desta forma o Conselho Municipal de Cultura de Ponta Porã, considera a produção literária de Alci Massaranduba, de suma importância para a consolidação da Literatura, como manifestação cultural que contribui para formação sócio-cultural de nosso povo, bem como o senso crítico por meio de uma obra inovadora.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Dominando as emoções

Como é bom conviver com pessoas bem humoradas. É uma pena constatar que essa virtude é rara hoje em dia. A realidade nos mostra que muitas pessoas são ríspidas nas palavras e gestos. Talvez você conheça alguém que vive com a “cara amarrada”, como se nada mais tivesse graça ou encanto. Pense por um instante na seguinte pergunta: Como você reage diante da incompreensão e até da falta de educação de algumas pessoas? O caminho mais fácil é o do: “olho por olho, dente por dente”, ou seja, o que fizerem comigo, eu farei o mesmo. Para muitos, essa é uma verdade inquestionável. Gostaria que você refletisse sobre uma história que li outro dia. A história é sobre duas vizinhas que brigaram durante anos seguidos. Uma das vizinhas ousou agir de forma diferente, o seu gesto inusitado nos ensina algo maravilhoso sobre como administrar encontros com “pessoas difíceis”.
Elas viviam em pé de guerra. Não podiam se encontrar na rua que era briga na certa. Mas depois de um tempo, dona Maria descobriu o verdadeiro valor da amizade e resolveu que iria fazer as pazes com dona Clotilde.
Ao se encontrarem no supermercado, muito humildemente, disse dona Maria:-Minha querida Clotilde, já estamos nessa desavença há anos e sem nenhum motivo que realmente valha. Gostaria de propor que façamos as pazes e vivamos como duas boas e velhas amigas.Dona Clotilde, na hora, estranhou a atitude da velha rival e disse que iria pensar no caso. Pelo caminho foi matutando:
- Essa dona Maria não me engana-está querendo me aprontar alguma e eu não vou deixar barato. Vou mandar-lhe um presente para ver sua reação. Chegando em casa, preparou uma bela cesta de presentes, cobrindo-a com lindo papel, mas encheu-a de esterco de vaca, enquanto pensava: Eu adoraria ver a cara da dona Maria ao receber esse ‘maravilhoso’ presente. Vamos ver se ela vai gostar dessa.
Mandou a empregada levar o presente à casa da rival, com um bilhete: Aceito sua proposta de paz e, para selarmos nosso compromisso, envio-te esse lindo presente.
Dona Maria estranhou o presente, mas não se exaltou. Pensou consigo: Que será que ela está propondo com isso se estamos fazendo as pazes?- e ficou refletindo sobre o presente...Alguns dias depois, dona Clotilde atende a porta e recebe uma linda cesta de presentes coberta com um belo papel. Logo pensou: É a vingança daquela asquerosa da Maria. Que será que ela me aprontou? Qual não foi sua surpresa ao abrir a cesta e ver um lindo arranjo, com as mais belas flores que podiam existir num jardim, além de um cartão com a seguinte mensagem:Estas flores são o que lhe ofereço em prova da minha amizade. Foram cultivadas com o esterco que você me enviou e que proporcionou excelente adubo para meu jardim. Afinal, cada um dá o que tem de melhor!
Creio que seremos mais felizes se conseguirmos oferecer ao outro o nosso melhor mesmo que a outra pessoa não mereça. Sei que isso é muito difícil, mas vale à pena tentar. A indelicadeza e irritabilidade no uso das palavras e gestos revelam muito do nosso estado de espírito. Aquela famosa frase (Eu nasci assim e vou morrer assim!) dita por muitas pessoas está equivocada. O desejo de retribuir a ofensa na mesma moeda parece satisfazer momentaneamente o agredido, mas os seus efeitos são mais negativos do que positivos. Somente uma pessoa de nobreza consegue agir diferente. Todos podem e devem buscar lapidar o seu comportamento. As palavras ditas com espírito de mansidão têm o poder extraordinário de tocar vidas. O maior mestre de todos os tempos- Jesus Cristo, já ensinava: “Vença o mal com o bem”. Saiba agir com bondade e cortesia, independente das circunstâncias exteriores. Apesar de saber que em algumas situações você vai querer deixar a tranqüilidade de lado, por favor, não a abandone. Você pode estar coberto de razão para reagir à provocação de determinada maneira, mas a verdadeira sabedoria se revela naqueles que aprenderam a controlar as suas emoções. Uma pessoa equilibrada emocionalmente é uma verdadeira benção para ele mesmo e também para toda a sociedade.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Reação inesperada Parte final

Após várias horas de muita agonia, surge no fundo de um corredor do hospital, vindo na direção dos pais de Pedro o médico responsável por sua cirurgia. Ao avistá-lo, pressentiram que o pior tinha acontecido. O médico se aproximou e com grande tristeza disse que tudo tinha sido feito para tentar salvar a vida de Pedro, mas infelizmente, ele não resistiu e veio a falecer. Naquele momento, só uma coisa passou pela mente daqueles pais. O questionamento feito por eles é o mesmo de muitas outras pessoas que já passaram por situação parecida. A pergunta era a seguinte: Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas? Tudo aquilo não era justo. A reação inicial foi de revolta.
Todos os preparativos foram feitos para o enterro de Pedro. Por ser um jovem tão querido, uma pequena multidão de pessoas veio prestar a ele uma última homenagem. O cortejo fúnebre dirigia-se até o cemitério da cidade, por onde passava emocionava a todos. Era difícil não pensar no fato de que a vida é aparentemente injusta. O jovem Pedro não merecia morrer daquela forma.
Ao tirarem o caixão do carro da funerária, a comoção foi geral. Um enterro nunca tinha reunido uma quantidade tão grande de pessoas. O senhor Almir pediu a palavra e disse:
- Queridos amigos, gostaria de agradecer do fundo do meu coração pela presença de todos vocês, não imaginava que o meu filho fosse tão querido. Creio sinceramente que o meu Pedro marcou de alguma maneira a vida de cada um de vocês.
Após pronunciar essas palavras, ele colocou a mão no bolso da calça e tirou um papel. Com lágrimas nos olhos, revelou que tinha em mãos o último desejo do seu filho. Todos ficaram em total silêncio. O homem abriu aquele pedaço de papel e disse que Pedro tinha confiado a ele a responsabilidade de ler a carta diante de todos, momentos antes do seu enterro. O senhor Almir respirou profundamente e começou a ler as seguintes palavras.
“Inicialmente, gostaria de me apresentar, pois talvez esteja falando para muitas pessoas que não tiveram a oportunidade de me conhecer. Meu nome é Pedro. No momento estou num leito de hospital e pressinto que talvez não saia daqui com vida. Gostaria de pedir a atenção de todos por alguns minutos, por favor, tenham paciência e escutem o que vou dizer.
Eu tenho muitos sonhos para o meu futuro, assim como vocês também tem os seus, mas infelizmente, para alguns de nós, eles não se realizarão por alguns motivos. Nunca imaginei que sendo tão jovem enfrentaria uma doença com tal poder de destruição. Hoje estou deitado numa cama, longe de muitas pessoas que amo. Estar aqui me levou a refletir sobre a minha vida.
Sei que muitos de vocês não conseguem entender o porquê da minha morte. Bom, nem sempre entendemos mesmo, mas talvez o que precisamos entender é o porquê de Deus permitir a minha futura ausência deste mundo. A grande verdade é que a morte chegará a todos, mais cedo ou mais tarde. Não há como enganá-la ou fazer acordo com ela. O que realmente importa é a nossa atitude diante de algo que foge ao nosso controle. Por incrível que pareça, posso dizer com segurança que estou tranqüilo mesmo diante do inevitável- o fim da minha existência. Como é que consigo manter a calma diante de tamanha tragédia pessoal? Você pode estar se questionando neste exato momento. Bem, a vida é cheia de desafios, lutas e provações. Faço uma comparação da vida com um dia qualquer, de manhã o sol reina majestoso nos céus, à tarde nuvens escuras encobrem o seu brilho, a luz desaparece e no seu lugar surgem densas trevas. No mesmo dia, temos a luz e a escuridão, o sol e a chuva, o frio e o calor. A vida muitas vezes é assim também, num determinado dia pela manhã, tudo parece dar certo, já à tarde, tudo parece dar errado. Numa hora você está feliz com os amigos jogando uma partida de futebol e logo depois está internado em estado grave. O que podemos fazer diante de coisas totalmente fora do nosso controle? Talvez esteja falando para alguém que está vivendo um lindo dia que parece não ter fim, ou para alguém que só enxerga a penumbra e o desânimo é o seu companheiro inseparável. Em qualquer das situações não se esqueça de que tudo é passageiro. Não há como mudar as tragédias que assolam a nossa vida e nem de fazer com que os dias alegres se eternizem, mas há uma atitude que pode mudar tudo. A grande questão é como reajo diante das alegrias e tristezas. Algumas pessoas chegar a dizer que a fé em Deus é uma ilusão, um meio de consolo diante da dor e desespero, eu particularmente escolhi crer em Deus antes dos dias escuros da minha vida, o sol brilhava em todo o seu esplendor quando decidi crer que existe um Deus amoroso, cuidadoso e que zela pelos seus filhos. O fato de estar vivendo os meus momentos finais no palco deste mundo não mudou nada na minha confiança, pelo contrário, a minha fé só aumentou. Se vocês me perguntarem de onde vem a minha tranqüilidade, não tenho outra resposta a dar a não ser dizer que é um verdadeiro milagre. Não posso explicar os milagres, só sei que eles existem. Sei que muitas pessoas não acreditam em milagres, mas para mim eles fazem todo o sentido.
Escolhi deixar a vida da mesma forma que a vivi, com alegria, esperança e o senso do cuidado e da proteção divina. Hoje sei que tudo o que me aconteceu foi permitido por Deus para que o meu exemplo fosse fonte de inspiração para muitas pessoas assoladas por problemas dos mais diversos. Antes de fechar os meus olhos pela última vez gostaria de fazer um apelo a você. Por favor, tenha a ousadia de crer em Deus e em você mesmo. Independente das circunstâncias desanimadoras, jamais se esqueça de que não estais sozinhos no mundo. Nos momentos de calmaria lembre-se do seu Criador, nos momentos mais difíceis tenha a certeza de que a impossibilidade humana é a oportunidade de Deus revelar toda a sua grandiosidade.
Obrigado pelo carinho de todos vocês. Por enquanto, adeus”.
Pedro
Ao terminar de ler a carta de Pedro, o seu pai percebeu que aquelas palavras mudariam a vida de muitas pessoas. O conteúdo daquela carta pode mudar a sua vida também. O jovem Pedro era mais sábio do que imaginava.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Uma grande lição de vida

Certas profissões são especiais por alguns motivos, dentre elas a de carteiro. O carteiro tem a importante missão de visitar as casas das pessoas diariamente para efetuar a entrega das correspondências. A rotina de trabalho é a mesma, todos os dias. As casas visitadas sempre são as mesmas, é como se apenas algumas pessoas recebessem correspondências. As casas podem ser as mesmas, o que difere são os moradores, pois as pessoas mudam muito, principalmente quem aluga uma residência.
A rotina além de ser desanimadora ainda nos leva a fazer sempre a mesma coisa do mesmo jeito. Dependendo do nosso trabalho, acabamos agindo como se fossemos programados para desempenhar certa tarefa dia após dia sem muita inovação. Apesar da inevitável rotina diária, consigo prestar atenção a certos detalhes que para muitas pessoas é totalmente irrelevante.
Certa vez, contemplei uma cena curiosa que me emocionou muito. Se você estivesse ao meu lado e tivesse visto a mesma coisa que eu talvez não achasse nada de extraordinário ao ver duas pessoas na rua. O que isso tem de mais? Vemos pessoas todos os dias e a toda hora, basta sair de casa e pronto!
Naquela manhã de quarta-feira fazia muito calor. O sol forte obrigou muitos moradores a sentar na frente das suas casas procurando ficar embaixo de alguma árvore. O objetivo deles era encontrar alguma sombra refrescante. Após efetuar a entrega na Rua João Manoel Cardinal olhei no relógio e pude perceber que já estava quase na hora de ir almoçar. Foi então que me deparei com uma cena inesquecível. Apesar de estar muito apressado para terminar a entrega das últimas correspondências na parte da manhã, ao ver um casal se aproximando, não pude resistir e encostei a moto. Talvez você esteja pensando; o que há de especial nisso? É apenas algo comum. Nada demais.
Logo a minha frente, vindo em minha direção, uma senhora deficiente estava na sua cadeira de rodas, um homem empurrava a cadeira. O que me comoveu foi o fato dela não ter as duas pernas. Olhei com curiosidade e pude constatar que o senhor era totalmente cego. Ela sem poder andar, ele sem enxergar. A mulher era “os seus olhos” e ele “as suas pernas”. As barreiras físicas foram vencidas pela cooperação mútua. Sempre ouvimos falar dos benefícios do trabalho em equipe, mas nunca tinha presenciado na prática a preciosidade que é trabalhar juntos em prol de um mesmo objetivo.
Por incrível que pareça, o casal conversava animadamente, como se nada de especial estivesse acontecendo. Na verdade, estava acontecendo algo maravilhoso, pelo menos pra mim. Penso nessa cena constantemente. Fico impressionado com a capacidade humana de superação. Aprendi muito naquele dia. Uma verdadeira lição de vida. Sem que eles soubessem, aquele casal me ensinou a valorizar mais a vida e não reclamar tanto. Mesmo com as suas limitações físicas, eles encontraram uma forma criativa de superar as suas limitações e desfrutar com alegria do dom maravilhoso da vida.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Homenagem ao Dia do Carteiro(25 de janeiro)

Heróis das ruas


Desde a mais tenra idade as crianças se encantam com os super heróis. Muitos deles possuem poderes especiais para combater o crime, outros possuem apenas as suas habilidades e a inteligência. Os filmes, as histórias em quadrinhos e os desenhos popularizaram a figura do super herói. Nas histórias envolvendo super herói sempre tem o herói e o vilão. Na mente das crianças o bem- representado pela figura o herói, sempre vence o mal- representado pelo vilão. Quando a humanidade ou mesmo alguém está em perigo o herói sempre surge para salvar a todos.
Fora do mundo de fantasia temos os heróis do mundo real. São heróis de carne e osso, talvez desconhecidos por muitos e sem grande popularidade. Os heróis de verdade não têm o seu rosto estampado nas camisetas e muito menos brinquedos inspirados neles. Eles não possuem habilidades sobrenaturais, não voam e nem possuem força descomunal, mas ainda sim podemos afirmar com segurança que são verdadeiros super heróis.
Dentre esses heróis anônimos destaca-se o que podemos chamar de Heróis das ruas. Se você perguntar para crianças e adultos quem são eles, quase ninguém saberá te dizer. Os heróis das ruas enfrentam “inimigos” muito reais diariamente. Com uma grande coragem, os nossos heróis agem discretamente e estão espalhados pelas ruas de todo o Brasil. Em todos os municípios do país podemos encontrá-los. O frio intenso não pode detê-los, nem mesmo o calor forte os impede. As chuvas dificultam o seu trabalho, mas eles a enfrentam assim mesmo. Até as feras são vencidas. O perigo deles se machucarem em algum acidente de trânsito é enorme. Os nossos heróis de verdade não têm a sua disposição veículos turbinados. Muitos deles fazem o seu trabalho a pé. Para percorrer grandes distâncias, os nossos heróis utilizam motos e carros, tudo isso para que você possa ser atendido o quanto antes.
Os heróis das ruas têm uma importante missão a desempenhar. Que missão é essa? Levar esperança as pessoas; ser o elo entre pessoas separadas pela distância. Até mesmo a economia do país é beneficiada por eles. Entregam diariamente um número impressionante de objetos postais dos mais diferentes formatos. De quem estamos falando? É claro que estamos falando do Carteiro.
O Carteiro é tão importante para o nosso país que criaram uma data especial em sua justa homenagem. O dia 25 de janeiro é dedicado aos super heróis das ruas- os carteiros.
Talvez dentro de instantes, enquanto você está lendo esse texto, algum carteiro bata na sua porta trazendo uma boa notícia. Tenha a certeza de que ele enfrentará todos os perigos para cumprir fielmente a sua missão. Por que ele fará isso? Porque ele é o herói das ruas.Parabéns a todos os carteiros do país, vocês merecem todo o carinho e respeito pelo imprescindível trabalho realizado em benefício do Brasil.


Carteiros de Ponta Porã-MS

domingo, 16 de janeiro de 2011

Reação inesperada PARTE II

A viagem até o hospital parecia não ter mais fim. O pai pisou no acelerador. O carro transitou pelas ruas da cidade em alta velocidade. Na hora do desespero até os sinais de trânsito foram desobedecidos, mesmo sendo fiel cumpridor das leis, na mente daquele pai só havia uma única preocupação naquele momento; salvar a vida do seu filho.
Ao dar entrada no pronto socorro, Pedro ainda continuava desacordado. O enfermeiro percebendo a gravidade da situação, rapidamente providenciou uma maca. O rapaz foi levado às pressas. Uma pergunta surgiu na mente daquele angustiado pai: Será que ainda veria o seu filho com vida? A simples ideia de perdê-lo levou aquele pai ao total desespero. O choro foi inevitável. As lágrimas caiam em abundância da sua sofrida face.
Os momentos seguintes foram de grande expectativa por uma notícia positiva sobre o estado de saúde do filho. O tempo passava e ninguém aparecia para tranqüilizar aquele pai. Finalmente, após duas horas, um médico se aproximou e disse que precisava falar em particular com o senhor Almir- pai de Pedro. A notícia trazida pelo médico não era a que ele estava esperando. O pai sai da sala arrasado emocionalmente. Apesar de ser um diagnóstico inicial, ainda seria preciso fazer uma série de exames complementares, o médico afirmou que o caso de Pedro era grave, a suspeita era de que ele estava com um tumor alojado na cabeça. A sua única chance de sobrevivência seria se submeter a uma delicada cirurgia, se aquela suspeita se confirmasse. Infelizmente, o médico estava certo no seu diagnóstico. Com grande dor no coração, os pais de Pedro autorizaram a cirurgia, mesmo sabendo dos riscos.
O rapaz recobrou a consciência e pôde enfim rever os seus pais. Na porta daquele quarto, antes de entrarem, os pais de Pedro conversaram sobre a melhor forma de dar a notícia de que Pedro estava com câncer no cérebro e precisaria ser operado o quanto antes. Imagine você no lugar daqueles pais, o que falaria para o seu filho? Como daria a trágica notícia? Como o consolaria?
Ao entrarem no quarto viram algo surpreendente, seu filho estava com o semblante extremamente tranqüilo, nem parecia estar num leito de hospital por tantos dias. Diante de todo aquele sofrimento, aquele rapaz ainda mantinha o seu jeito de ser, a sua alegria com a vida, o seu jeito amoroso. Ao ser explicado a ele a sua real situação, o mesmo continuou tranqüilo, já os pais não conseguiram conter a emoção e começaram a chorar copiosamente.
Tudo o que podia ser feito pelos pais tinha sido feito, mas a sensação de impotência diante de algo totalmente fora do controle os abalou profundamente. Nem mesmo a medicina com todas as suas técnicas cirúrgicas avançadas não deram garantia de cura para o problema de Pedro. Mesmo sabendo que as suas chances de sobrevivência eram menores do que gostaria, Pedro tentou acalmar os seus pais. Houve uma inversão de papéis, pois quem deveria trazer consolo foi quem justamente foi consolado.
O rapaz pediu uma folha de papel em branco e uma caneta, naquele exato momento o senhor Almir e sua esposa Carmem pressentiram que aquela seria a última vontade do seu filho com vida. Muito comovidos, observavam pacientemente a mão trêmula do seu filho segurando a caneta e escrevendo algumas palavras. Ao terminar de escrever a carta com certa dificuldade a mesma foi entregue ao pai. Só havia um pequeno detalhe, aquela carta deveria ser lida apenas depois da morte do rapaz e no seu enterro. O pai sem entender direito o porquê de tal pedido prometeu ao filho de que se ele viesse a falecer, e somente depois disso, é que ele leria aquela carta.
Em nenhum momento Pedro se desesperou. É algo admirável a ser comentado que um jovem cheio de sonhos e tão talentoso estivesse vivendo tal tempestade na sua vida. As suas últimas palavras ditas ao pai foram:
-Pai querido, independente do que aconteça comigo quero que saiba que eu estou em paz. Ao ouvir tais palavras o pai abraçou fortemente o seu filho. A dor daquele pai é difícil descrever.
Ao deixar o hospital, o senhor Almir sentiu subitamente o desejo de abrir aquela carta para saber o seu conteúdo, pensou em fazer isso, mas logo veio a sua mente a promessa que tinha feito e desistiu da ideia. Apesar da sua curiosidade, a decisão tomada por ele foi correta.
O dia marcado para a cirurgia da retirada do tumor enfim tinha chegado. Ao deixar o quarto onde estava Pedro acenou para os pais.
CONTINUA NA PRÓXIMA POSTAGEM

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A cama

Num programa de TV
Vi uma matéria no jornal
Falava de uma mãe
E do seu filho Lourival

A pobreza era extrema
Faltava até o que comer
O sofrimento daquela mãe
É difícil descrever

Viúva e com filho pequeno
A pobre mãe esperava
Que um anjo de Deus
Batesse à porta da casa

O repórter perguntou
Se a mãe ainda sonhava
A mulher lhe respondeu
Que a realidade não deixava

O filho daquela dona
Dormia em cima de papelão
A mãe via a cena
Com muita dor no coração

Qual o seu maior sonho?
Pergunta o repórter do jornal
A mãe então lhe responde
Quero uma cama pro Lourival

Ao ouvir tais palavras
Uma solitária lágrima caiu
Da face daquele homem
Que aquele sonho ouviu

Pegando a sua carteira
O repórter anunciou
O dia tão esperado
Finalmente chegou

Vou lhe dar de presente
Uma cama especial
De dou este dinheiro
Pra alegria do Lourival

A mulher disse ao homem
Num sei como agradecê!
Agora sei muito bem
Que o anjo de Deus é você
Texto de Alci Massaranduba

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011













PONTA PORÃ HOMENAGEIA CARTEIRO
O colaborador Alci Massaranduba, carteiro lotado na UD Ponta Porã, recebeu uma homenagem do Conselho Municipal de Cultura e o Conselho Municipal de Esporte e Lazer, durante premiação a cidadãos que se destacaram na cidade no campo esportivo e em manisfestações culturais.
Alci escreveu um livro "Minha Vida de Carteiro" e colabora periodicamente com textos de motivação para jornais da região.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Reação inesperada

O jovem Pedro tinha 16 anos quando aconteceu algo que inicialmente foi totalmente corriqueiro. Um fato sem grande importância e que nem mereceria ser relatado de tão insignificante. No instante em tudo aconteceu o rapaz não imaginava que algo tão banal pudesse modificar toda a sua vida.
A fase da adolescência é marcada por sérios conflitos internos. O jovem busca na rebeldia uma forma de expressar os seus sentimentos conflituosos. O relacionamento com os pais fica bastante comprometido, pois o jovem desafia as ordens a ele dadas. O caso de Pedro é singular. Apesar da ebulição dos hormônios, ele se mantinha calmo e raramente alterava o seu comportamento. O relacionamento com os pais era o melhor possível. Era rodeado de amigos. Com a sua simpatia conquistava a todos.
O namoro com Bianca estava indo muito bem, ambos se entendiam e trocavam juras de amor. O jovem casal de namorados conversava constantemente sobre o futuro do relacionamento. Os professores de Pedro o tinham em alta estima, pois o admiravam pela sua inteligência e dedicação aos estudos.
Tudo estava indo muito bem, o futuro parecia ser promissor. O jovem Pedro tinha todas as características de um vencedor; bom aluno, bom filho, bom namorado e boa pessoa. Como não gostar de um rapaz tão virtuoso? Apesar de todos vislumbrarem um futuro brilhante para o jovem Pedro, as coisas não aconteceram exatamente como o previsto.
Uma das suas paixões era jogar futebol com os amigos, pelo menos uma vez por semana a galera se reunia para a prática do esporte. Naquela fatídica noite de terça-feira aconteceu algo que mudaria para sempre a vida de Pedro.
A partida de futebol se encaminhava para os minutos finais, faltava apenas 5 minutos para o término do jogo. O placar mostrava um empate em dois a dois. O jovem Pedro estava próximo da grande área quando recebeu um lançamento preciso do meio do campo. Fazendo uso de toda a sua habilidade, ele driblou todos os adversários que surgiu na sua frente, o último obstáculo rumo ao gol era o goleiro, com uma gingada espetacular conseguiu deixar o goleiro para trás e fez um lindo gol. Ao sair em direção ao meio do campo para comemorar com os companheiros subitamente sentiu uma forte dor de cabeça. A dor durou apenas alguns segundos, nada que atrapalhasse a alegria de ter marcado o gol da vitória. A partida de futebol terminou com Pedro sendo o grande nome do jogo.
Ao chegar à sua casa, a primeira coisa que queria fazer era tomar um banho bem gelado. Aquela partida de futebol tinha sido mais cansativa do que de costume, principalmente nos cinco minutos finais. Lembrou da forte dor de cabeça que teve. Com certeza era só mais uma dor de cabeça sem importância- pensou consigo.
Ao entrar no banheiro sentiu uma leve tontura. Ligou o chuveiro, quando a água caiu sobre o seu corpo nu sentiu novamente aquela terrível dor de cabeça. A dor foi tão forte que chegou a desmaiar. Com a demora para sair do banho o seu pai o chamou várias vezes, mas sem obter nenhuma resposta. Preocupado com o filho, o pai arrombou a porta do banheiro. Ao entrar ali o pai teve uma terrível surpresa, encontrou o seu filho caído no chão inconsciente. O desespero foi geral. Sem perder nenhum segundo sequer, o pai o retirou daquela deplorável situação. O destino não poderia ser outro a não ser o hospital mais próximo.
CONTINUA NA PRÓXIMA POSTAGEM

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Couro de boi

O governo de Minas Gerais promoveu recentemente uma campanha em favor dos idosos. Nessa campanha um cantor de música sertaneja aparece recitando a letra da música: "couro de boi"". É uma daquelas saudosas músicas que nos leva a refletir sobre a vida. Confira abaixo toda a sua beleza.
Conheço um velho ditado, que é do tempo dos agáis.
Diz que um pai trata dez filhos, dez filhos não trata um pai.
Sentindo o peso dos anos sem poder mais trabalhar,
o velho, peão estradeiro, com seu filho foi morar.
O rapaz era casado e a mulher deu de implicar.
"Você manda o velho embora, se não quiser que eu vá".
E o rapaz, de coração duro, com o velhinho foi falar:
Para o senhor se mudar, meu pai eu vim lhe pedir
Hoje aqui da minha casa o senhor tem que sair
Leve este couro de boi que eu acabei de curtir
Pra lhe servir de coberta aonde o senhor dormir
O pobre velho, calado, pegou o couro e saiu
Seu neto de oito anos que aquela cena assistiu
Correu atrás do avô, seu paletó sacudiu
Metade daquele couro, chorando ele pediu
O velhinho, comovido, pra não ver o neto chorando
Partiu o couro no meio e pro netinho foi dando
O menino chegou em casa, seu pai foi lhe perguntando.
Pra quê você quer este couro que seu avô ia levando
Disse o menino ao pai: um dia vou me casar
O senhor vai ficar velho e comigo vem morar
Pode ser que aconteça de nós não se combinar
Essa metade do couro vou dar pro senhor levar